Thursday, March 2, 2006

Futuro Anunciado

Dicas para vencer no século XXI

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O século XXI está a revelar-se como todos já prevíramos: complexo, imprevisível e ambíguo. Mais do que em qualquer outra época anterior.

Todos necessitamos de estar preparados para desafios pessoais, sociais e profissionais para enfrentar as grandes mudanças que estamos a assistir. No futuro próximo ou no longínquo não haverá lugar para hesitações. O risco é uma realidade cada vez mais omnipresente. A única defesa é estarmos preparados. E isto implica inteligência, flexibilidade, formação constante.

Neste breve “dicionário do futuro” - que habitualmente ofereço aos jovens que no Instituto da Inteligência procuram orientação académica e vocacional - estão algumas dos principais pontos fortes que devemos adquirir e desenvolver e os pontos de referência social, económica e cultural pelos quais nos devemos orientar.

 

Auto-confiança

Acreditar em si mesmo, construir uma auto-estima saudável, não ter medo de aniscar (ter coragem), ser inovador e original e gostar daquilo que faz são geradores da auto-confiança. Os ingredientes secretos da auto-confiança são a energia mental, a motivação e a força de vontade.

Capacidade de concretização

Envolve persistência, sonhos, visões, saber planear e controlar as situações. Diz respeito à aptidão para passar à prática ideias e projectos com êxito e saber errar e perder, aprendendo com a experiência (ver Inteligência de sucesso).

Capacidade de comunicação

E uma das grandes qualidades dos líderes e das pessoas carismáticas: saber ouvir e saber dizer. Envolve a capacidade de inspirar paixão, sentimentos, emoção e entusiasmo. Inclui também o sentido de humor oportuno pois, sempre que utilizado com precaução, melhora a comunicação.

Carisma

O carisma é uma palavra que descreve as qualidades, o comportamento e as atitudes de alguém e está relacionado com uma série de atributos onde a capacidade de liderança ocupa um lugar de destaque.

Tony Buzan, autor de diversas obras sobre inteligência, refere que a principal caracteristica do carisma é a energia que permite à pessoa ter uma visão, uma missão, quaisquer espécies de objectivos ou finalidades e saber transmiti-las aos outros de tal modo que eles aderem com entusiasmo ao que lhes for proposto.

Na mesma linha de raciocínio, outro autor, Peter Sharpe, diz que o carisma é a capacidade de fazer as pessoas ouvir o que dizemos de tal forma que elas “animamse com o que estamos a dizer, ouvem o que estamos a dizer e, o que é mais importante, actuam de acordo com o que estamos a dizer da forma que queríamos que actuassem“.

Pessoas carismáticas? Pois apontam-se geralmente nomes como Nelson Mandela, Martin Luther King, John Kennedy, Gandhy e muitos outros.

As personalidades carismáticas são, em regra, pessoas activas, peremptórias, enérgicas e apaixonadas por aquilo que fazem. Possuem uma série de características tais como: presença; confiança, energia e entusiasmo; autodeterminação; convicções fortes; tendência para dominar;  unem forte necessidade de influenciar os outros; capacidade para sentir, intuitivamente, o que os outros sentem; uma natureza extrovertida; perspicácia.

Por vezes, possuem também, características fisicas atraentes, uma voz dominante e inesquecível, olhar hipnótico ou que prende e unia aura muito pessoal.

A educação de um jovem pode instilar nela qualidades que mais tarde poderão ajudá-lo a ser uma pessoa carismática ou, pelo menos, uma pessoa capaz de agradar, entusiasmar e atrair a simpatia e o interesse dos outros por ele e pelo seu trabalho (ver Capacidade de comunicação e Auto-confiança).

Charme

O charme é feito de mistério e enigmas. As pessoas carismáticas são reservadas quanto baste para conservarem algum mistério à sua volta. Na verdade, para além de enérgicas, intrigantes e excitantes, as pessoas com carisma são geralmente enigmáticas e misteriosas pois o seu estatuto, o poder e a posição que ocupam - e até a sua cultura, a sua sabedoria e talento - estão além da vulgaridade (ver CarismaVisibilidade).

Criatividade

No futuro só as pessoas criativas terão sucesso. A competitividade das empresas obriga-as cada vez mais a terem pessoas criativas capazes de inovarem. Ser criativo é estar aberto à curiosidade, ao que é diferente e original. Ser criativo é procurar soluções novas para os velhos problemas, é ter o espírito de explorador que a cada passo descobre novos caminhos. A criatividade aprende-se, treina-se e alimenta-se de curiosidade. Só as mentes abertas podem ser muito criativas. (Ver Trabalhador do século XXI).

Empresas e empregos

Grandes empresas, cujos tentáculos se estenderão por todo o mundo, marcam já a economia actual mas, no futuro, poderão tomar-se ainda mais poderosas. Em contrapartida, microempresas e profissões liberais, assumirão um papel cada vez preponderante, sendo de destacar uma cada vez maior especialização.

A forma como as empresas estarão organizadas tenderá a ser diferente da de hoje. Mais flexíveis, mais rápidas a decidir e a inovar, as empresas requerirão técnicos altamente especializados e dispostos a mudar de local de trabalho. Os empregos estáveis e no mesmo posto deixarão de existir a breve prazo. Entraremos na era do “capitalismo flexível” (nos últimos anos, em Portugal, mais de 1 milhão de tralha- dores mudaram de actividade profissional!).

Segundo alguns estudos, prevê-se que a meio da vida as pessoas exercerão uma profissão totalmente diferente devido a um fenómeno conhecido como “degradação de conhecimentos “. E altamente provável que as pessoas mudem de emprego cerca de 10 vezes ao longo da sua carreira. Ou seja, cada vez mais os jovens entrarão na universidade para não mais sair dela. Terão de manter-se constantemente em cursos de aprefeiçoamemto, de especialização e de aprofundamento para poderem manter-se actualizados e … empregados.

No que se refere às saídas profissionais devemos estar alertados para o facto de diversos estudos apontarem para o desaparecimento de muitas actividades. Cerca de 80% das profissões hoje reconhecidas já não terão razão de existir dentro de 20 anos. Novas profissões, entretanto, farão a sua aparição, o que forçará as universidades a criarem novos cursos, talvez ainda dificeis de especificar. O aumento de cursos de pós-graduação e de especialização é inevitável. As pessoas com menos de 50 anos de idade terão de habituar-se à ideia de que voltarão mais cedo ou mais tarde à escola, mesmo que seja através da intemet ou de outros meios (ver Sociedade do Futuro e Ensino).

Ensino

O ensino actual sofrerá então profundas modificações. A escola oriunda da era industrial será ultrapassada por novos modelos alternativos, mais eficazes e criativos.

Segundo o jornalista e futurólogo Alvin Toffier, essa transformação passará por três objectivos: transformar a estrutura organizacional do ensino, revolucionar o seu curriculum e encorajar uma orientação mais voltada para o futuro. A escola estará mais perto da comunidade e cada vez mais aulas serão realizadas fora de portas (em empresas, museus, etc).

Os professores serão também obrigados a transformar-se, mudando de atitude relativamente ao exercício de ensinar. Os professores têm de aprender a ver cada aluno como um todo singular onde se escondem, por vezes, potencialidades incríveis. Têm de ser criativos e inovadores para serem capazes de libertar também o espírito criativo dos alunos. Os professores devem assumir-se como autênticos agitadores das mentalidades, lutando contra o conservadorismo, o conformismo, o cinzentismo e o comodismo que a educação familiar tantas vezes provoca nos mais novos. A escola do futuro será unia escola onde se aprenderá a pensar, a filosofar e a criar (ver Pensar).

Estilo

Descreve a forma como as pessoas fazem as coisas. E uma questão de excelência e superioridade de realização. As bases do estilo são a curiosidade e a criatividade.

Espírito de curiosidade

Maximizar a eficácia e optimizar os talentos e aptidões deverá ser uma preocupação das jovens. O mundo que os espera é exigente e muito competitivo. Só os melhores poderão aspirar a um lugar de destaque. Os menos bons ficarão pelo caminho ou, na melhor das hipóteses, terão de pensar numa actividade profissional alternativa e eventualmente menos interessante para as suas ambições.

O conhecimento - o saber - é o mais importante instrumento de acção. E pela aprendizagem que os jovens poderão alargar os horizontes e ambicionar uma carreira promissora numa actividade socialmente reconhecida.

O psicólogo Robert K. Cooper defende que as pessoas podem maximizar as suas aptidões mentais (inteligência, criatividade, cálculo, etc), através de um esforço constante de flexibilização psicológica e de aquisição de novas informações e aptidões.

Um dos factores mais importantes do sentido crítico é a curiosidade intelectual, a qual envolve um estilo próprio de abordar os problemas da vida quotidiana. “O pensador crítico questiona e analisa as coisas não porque alguém exige que ele o faça, mas porque, no fundo, ele tem um desejo de compreender, um interesse em descobrir, por si mesmo, as respostas a interrogações nascidas do contacto com as pessoas e as coisas” - acentua o professor David Carraher (ver Sentido crítico). Esse esforço passa por uma série de estratégias, a saber:

  • manter uma atitude criativa face às aprendizagens, à escola e, mais tarde, face ao trabalho;
  • manter-se curioso, atento ao mundo e à sua evolução;
  • não agarrar-se a certezas aboslutas; admitir o erro como forma de progresso e avanço;
  • ser guiado por metas e não ser governado por elas;
  • ampliar os seus conhecimentos;
  • exercitar a imaginação até aos limites do absurdo para divertir o espírito e flexibilizar a mente criadora;
  • alterar rotinas e hábitos que não se justifiquem; exercitar a concentração;
  • praticar regularmente desporto;
  • aprender a relaxar e a meditar;
  • alimentar-se inteligentemente com equilíbrio.

Inteligência de sucesso

Forma de inteligência que se traduz pela capacidade de analisar, de criar e de executar. Mas ser inteligente é também saber-se adaptar-se às situações e procurar as melhores soluções para os desafios. Por isso também hoje se admite que a inteligência pode ser social, emocional, linguística, visuo-espacial, naturalista, corporal-cinestésica, musical e lógico-matemática.

A inteligência pode ser treinada e desenvolvida. Existem exercícios chamados de “neurofitness” que ajudam a ampliá-la (clik: www.neurofitness.blogspot.com)

Metacompetências

Conjunto de aptidões onde se destacam a habilidade de pensar, a criatividade, o sentido crítico, a inteligência de sucesso e outras faculdades.

Pensar

O mundo está a exigir cada vez mais pessoas que saibam pensar, refiectir e raciocinar em profundidade. Só a pessoa que sabe verdadeiramente dominar a arte de pensar pode sentir-se livre.

E através do pensamento que nós organizamos a realidade que nos cerca e somos também capazes de criar realidades alternativas. O pensamento é assim uma espécie de linguagem da mente. E através dele que solucionamos problemas, desde os mais simples aos mais complexos.

Usa-se o pensamento para imaginar, prever, julgar, propor, avaliar, calcular, classificar, conhecer, examinar, meditar, planear, rever, sugerir, etc.

O pensamento enriquece-se através da aprendizagem e da experiência. Ler, escrever e conversar são formas de exercitar o pensamento. As pessoas que desenvolvem a arte de pensar podem aspirar a melhores empregos e beneficios pois estarão mais aptas a resolver problemas.

Sentido crítico

Um das áreas que devem ser estimuladas nos jovens é o sentido crítico - uma aptidão relacionada com o que o filósofo grego Aristóteles chamava de “juizo” e que ele dizia ser “uma das faculdades da alma, obra do pensamento e da sensação”.

Entende-se que um indivíduo dotado de sentido crítico “é aquele que possui a capacidade de analisar e discutir problemas inteligente e racionalmente, sem aceitar, de forma automática, as suas próprias opiniões ou opiniões alheias” - escreve o profbssor de psicologia David Carraher.

O sentido crítico pode também ser definido como “um processo de formação de uma opinião ou conclusão baseada em informação acerca de uma situação e, idealmente, chegar a uma conclusão que pondera e reconhece os elementos importantes do tema” - dizem os psiquiatras Paula Trzepacz e Robert Baker.

O sentido crítico resulta de uma conjugação de factores relacionados não só com a inteligência mas também com a personalidade, o humor, capacidades cognitivas diversas e circunstências da vida, podendo ser afectado por factores culturais e sociais. Mas a sua relação com a inteligência é muito grande. De tal forma que as pessoas com atrasos mentais, não sendo geralmente capazes de pensamentos abstractos, apresentam uma capacidade muito limitada de formular juizos. As características da pessoa com sentido crítico são as seguintes:

  • alta habilidade para pensar criticamente e lógicamente;
  • uma atitude de constante curiosidade intelectual;
  • critica de si mesmo e dos outros;
  • gosta de investigar e fazer muitas perguntas;
  • entende com facilidade princípios gerais;
  • não é propensa a aceitar afirmações, respostas e avaliações superficiais;
  • revela habilidade na compreensão da estrutura de argumentos em linguagem natural;
  • é capaz de fazer a distinção entre questões de facto, de valor e questões conceituais;
  • mostra habilidade para penetrar até ao cerne de uma discussão ou debate;
  • tem geralmente um sentido de humor desenvolvido (ver Pensar).

Sentido de visão

“Ver” aquilo que quer atingir, ter um grande objectivo na vida e saber orientar-se pelas suas próprias convicções representam a visão. Exige perspicácia imaginativa e capacidade de criação e realização. Implica um bom auto-conhecimento, a identificação dos seus valores e crenças pessoais e ter um sentido de missão em tudo o que fizer. São as pessoas de visão que criam as inovações e provocam as mudanças na sociedade, nos negócios, na ciência, na tecnologia.

Sociedade do Futuro

Ninguém mais duvida que a sociedade do futuro será cada vez mais complexa e ambígua. A sociedade está a mudar muito rapidamente. As grandes tendências de fundo, que estão a mudar o mundo podem ser assim divididas:

> Tendências económicas e geopolíticas

- Interconectividade mundial (o mundo já é uma aldeia global, intensificam-se as relações;);

- Interconexão cultural (a nível cultural há cada vez maior proximidade entre culturas diferentes)

- Megametrópoles (Singapura, Hong Kong.. . as cidades continuam a crescer);

- Liberalismo económico (o capitalismo tende para o liberalismo e urna maior concorrência);

- Grande poder dos governos (fce aos perigos do terrorismo, os governos ganham mais força);

- Balcanização dos Estados (muitos territórios aspiram à independência);

- Megaempresas (empresas multinacionais mais poderosas que muitos governos nacionais);

- Babelização (a proliferação de linguas nacionais e de dialectos locais);

> Tendências tecnológicas

- Obsolescência instantânea (os produtos “envelhecem” cada vez mais rapidamente);

- Interconectividade constante (a tecnologia desenvolve-se através de parcerias);

- Nanotecnologia, nutrição, farmacologia (esperam-se grandes evoluções nestas áreas);

- Micronização (a tecnologia tende para a miniaturização dos aparelhos e das máquinas);

> Sociedade

- Politeísmo (tendência para a crença em novas religiões e novos líderes espirituais);

- Novas tribos universais (grupos organizados a nível mundial em defesa de interesses tais como a organização não governamental de defesa ecológica “Green Peace”);

- Cepticismo (a população mundial, perante os múltiplos perigos que a rodeiam ao nível da segurança e do rumo da economia - desemprego, precaridade do trabalho,etc - tende a manter-se céptica perante os governos e as empresas;

- Paradoxos consumistas (o consumidor revela-se cada vez ambíguo nas suas preferências e escolhas);

- Superpopulação (somos mais de 6 biliões, seremos 10 biliões antes de 2050);

- Contacto permanente (a internet e o telemóvel permitem que a todo o instante as pessoas estejam relacionadas entre si).

> Consumidor

- Prematuridade (cada vez mais cedo as pessoas se assumem como consumidoras e clientes de muitos produtos e serviços);

- Insatisfàção permanente (a grande diversidade de produtos e serviços ao dispor das pessoas geram insatisfação a todo o instante e a vontade de adquirir novas coisas);

- Alheamento perante as empresas (as empresas já não são o prolongamento da família mas simples locais de trabalho);

- Procura da autenticidade (as pessoas procuram serviços e produtos que lhes consolidem um certo estilo de vida, uma personalidade única);

- Sempre on-line (sempre em contacto com a família, os amigos e o trabalho através da intemet e dos telemóveis);

- Compre agora, pague nunca (as comprar a crédito, os sistemas de aluguer e de troca, fazem com que um número crescente de produtos nunca cheguem a ser propriedade do cliente);

- Upscale do consumo (o consumo cresce a todos os níveis);

- Obesidade (ricos ou pobres todos parecem engordar com as novas comidas industriais);

> Emprego/Local de trabalho

- Multirracial (as emigrações conduzem a empresas onde trabalhadores de diferentes nacionalidades e raças se misturam e trabalham em conjunto);

- Multiplicidade de profissões (cresce a variedade de especialidades e profissões);

- Desmotivação para o trabalho (o trabalho, reduzido à obtenção de um salário, tende a desinteressar e a desmotivar);

- CEO Superstars (os presidentes das grandes empresas tomam-se muito conhecidos e actuam como verdadeiras “estrelas” nos media;

- Gestão mercenária (os melhores gestores são como os treinadores de futebol saltando de uma empresa para outra em função do seu potencial e ganhando somas milionárias);

- Trabalho 24 horas! 7 dias por semanal 365 dias (cada vez mais aumenta o número de empresas e serviços que trabalham ininterruptamente; muitos gestores estão quase sempre on une com a empresa e os seus negócios);

- Obsolescência rápida de conhecimentos (os conhecimentos académicos estão a perder rapidamente actualidade devido ao avanço da ciência e das descobertas);

- Necessidade de reaprendizagem constante (já não chega concluir um curso; temos de nos manter em permanente formação para estarmos actualizados);

- Teletrabalho (trabalho através da intranet e da intemet).

Talento

Habilidade inata para determinadas formas de arte como pintar, desenhar, compor música, representar, discursar, etc. O talento pode ser desenvolvido através da aprendizagem de técnicas e o desenvolvimento de habilidades que ajudarão a alcançar níveis de excelência. Geralmente é necessária a inscrição em escolas especializadas (escolas de música, de teatro, de pintura, de desporto, etc) para o desenvolvimento de certos talentos.

Trabalhador do século XXI

Vivemos num mundo diferente do da Era Fabril. Agora a sociedade do conhecimento e da informação exige trabalhadores mais competitivos e adaptáveis. O consultor de recursos humanos Eugénio Mussak garante que são 8 as aptidões que os trabalhadores e gestores do novo século devem ter:

- flexibilidade para se adaptar às mudanças e alterações que o mundo do trabalho exige;

- criatividade para poderem ser inventivos e inovadores;

- informação permanente para se manterem actualizados;

- habilidades de comunicação; grande sentido de responsabilidade;

- espírito empreendedor, com grande capacidade de iniciativa;

- habilidade para serem sociáveis e saberem adaptar-se a diferentes tipos de pessoas e culturas;

- habilidade para trabalharem com as novas tecnologias de informação.

 

Texto de Nelson S. Lima.

 

A organização do futuro

 

O processo de mudança por que está a passar a economia mundial nos últimos 20 anos contribuiu para criar um novo ambiente de negócios. A derrubada das fronteiras nacionais, as mudanças macro e microeconômicas e o desenvolvimento vertiginoso da tecnologia da informação e das telecomunicações levaram à formação da “aldeia global” de McLuhan num espaço de tempo muito mais curto do que se previa.

O acesso de parcelas crescentes da população dos países industrializados, e de alguns países emergentes, a novos produtos e serviços tem contribuído para que se alcance padrões superiores de bem estar, mas não permite reduzir as disparidades sociais de muitos países. Perduram as iniqüidades e acentua-se o fosso entre esses países e o restante da população mundial.

O competitivo ambiente de negócios exige, das sociedades e das empresas, um esforço permanente de adaptação de seu planeamento estratégico ao quadro volátil que caracteriza o processo de globalização em nossos dias. Trata-se de uma situação especial, uma vez que simultaneamente existem muitas oportunidades, ao mesmo tempo em que as ameaças crescem com a expansão do alcance dos mercados. Pode-se afirmar que, entre sociedades ou empresas, na metade da próxima década, só haverá dois grupos: o dos sobreviventes e o dos que terão desaparecido.

Macrotendências

Cinco macrotendências estarão influenciando o ambiente econômico nos próximos anos, moldando o cenário dos negócios e criando impacto sobre as organizações. Essas tendências deverão provocar uma reviravolta em vários mercados, criando oportunidades para aqueles que forem capazes de um posicionamento estratégico adequado e penalizando as organizações que não tenham atentado para o que significam. Essas tendências são as seguintes:
a) demografia;
b) ciência e tecnologia;
c) recursos naturais e meio ambiente;
d) globalização e interrelações na economia global; e,
e) questões de gestão corporativa, tanto no plano nacional como no internacional.

A demografia e seus caprichos

Quando se aborda a questão demográfica, constata-se que ocorreu uma reversão nas tendências de crescimento populacional. Paul  Ehrlich, em seu livro “A Bomba Populacional” (1965), previa um quadro catastrófico segundo o qual a população mundial dobraria a cada 30 anos. Na realidade, verificou-se uma redução nas taxas de natalidade e uma elevação da expectativa de vida, tanto nos países desenvolvidos, como nos emergentes.

O perfil etário do mercado consumidor sofreu uma alteração: menor número de crianças e adolescentes, maior número de pessoas mais idosas, abrindo espaço para produtos e serviços destinados à terceira idade e reduzindo o segmento mais jovem de consumo. Nota-se ainda uma expansão na actuação de fundos de pensão e instituições de previdência privada, uma vez que os sistemas previdenciários públicos • que não previam essa modificação no perfil etário • se acham em grande dificuldade para cumprir sua finalidade.

Também o mercado de trabalho sofre um grande efeito dessa tendência. Surgirão novas oportunidades para que as organizações aproveitem a experiência de executivos e técnicos aposentados, que poderão dedicar-se a atividades de consultoria ou de participação em órgãos consultivos por um período de tempo maior.

A nova fronteira científico-tecnológica

Outro ponto importante para o futuro das organizações diz respeito ao avanço que se verifica no campo de ciência e tecnologia. No período que Drucker denominou de “era do conhecimento”, tem ocorrido uma expansão das actividades de pesquisa. Isto ocorre tanto nos organismos estatais de pesquisa e nas universidades, como nas empresas privadas.

Os avanços da microelectrônica, das telecomunicações, da nanotecnologia e da biotecnologia, a introdução de novos materiais, os progressos da medicina e da produção de fármacos têm contribuído para o surgimento de novos produtos e serviços que ampliam a qualidade de vida.

A questão da propriedade intelectual ganha uma relevância especial. É a maneira de proteger esses investimentos vultosos e garantir que os recursos gastos proporcionem o retorno necessário para o desenvolvimento de novas atividades. A inclusão das questões de patentes na agenda da OMC e na discussão dos acordos para estabelecimento de novas áreas de livre comércio entre países deverá moldar o futuro nos próximos anos.  

A proteção do meio ambiente

As alterações no perfil demográfico e o alargamento da vida das pessoas, conjugadas às modificações no papel do Estado que serão abordadas mais adiante, contribuem para que se adopte uma nova visão em relação à preservação dos recursos naturais e proteção ambiental. Essa tarefa não deve ser desempenhada unicamente pelo Estado, mas deve ocupar todos os segmentos da sociedade. Cada qual pode fazer sua parte para que o planeta possa registrar níveis mais reduzidos de poluição e que a água e a atmosfera fiquem mais limpas.

Em consequência, além do surgimento de uma legislação de proteção mais rígida, as empresas passam a ser avaliadas com base na sua contribuição para a criação de melhores condições ambientais. As organizações que não tiverem essa preocupação se verão alijadas do processo concorrencial. Em alguns países, inclusive, essas restrições se tornaram parte dos negócios.

Os efeitos da globalização

A forte tendência verificada nos últimos 15 anos, no sentido da liberalização do comércio e da derrubada das fronteiras físicas e legais ao trânsito de mercadorias, serviços e pessoas também é um ponto relevante, devendo acentuar-se nos próximos anos.

No plano das empresas, essa liberalização dos fluxos de comércio acirra a competição. A abertura dos mercados e a abolição de restrições ao comércio de mercadorias e serviços fizeram com que se verificasse um desequilíbrio entre oferta e procura. Há uma capacidade produtiva global que, em muitos casos, supera a demanda agregada. O consumidor dispõe de um excepcional poder de barganha no mercado e o esforço das empresas para atrair o interesse dos consumidores deverá ser cada vez maior.

No campo da actuação do Estado, o processo de globalização implica também num grande número de desafios. Será necessário um esforço para agilizar o processo de comércio, fornecendo às empresas nacionais a ajuda necessária para que se tornem mais competitivas. Isto implica, no cenário interno dos países, em investimentos na infra-estrutura econômica, reforma judiciária e modificações na ordem tributária.

Outro aspecto fundamental para garantir uma maior competitividade às empresas está na orientação da política externa. É preciso desenvolver uma acção consistente em dois sentidos: o alargamento dos mercados e a remoção de obstáculos protecionistas por parte dos países com quem se mantêm relações comerciais.

As questões de gestão

Outra tendência importante que deverá ter um grande impacto sobre as empresas e os países nos próximos anos é a questão de gestão.

O crescimento e a interligação dos mercados de capitais acentua a necessidade de implementação de regras estritas de gestão corporativa. Os episódios desagradáveis ocorridos com a Enron, WorldCom e, em menor escala com outras empresas de grande porte nos Estados Unidos, assim como a falência da Parmalat, com seus impactos em escala mundial sobre a vida de milhares de stakeholders, impõem a urgente necessidade de princípios de ética e transparência nos negócios. Assim, regras de boa gestão corporativa deverão ganhar cada vez maior importância, como meio de proteger os interesses de todas as partes envolvidas nos negócios.

Por outro lado, as macro-questões de gestão também vêm ganhando destaque. Tanto no plano interno de cada país, como nas relações políticas e econômicas globais, é essencial garantir transparência entre países ou mesmo entre segmentos distintos de uma mesma sociedade nacional. Só assim será possível contribuir para que os benefícios advindos do desenvolvimento possam ser acessíveis para todos.

As questões de gestão, nos planos nacional e internacional, são uma condição exógena às organizações. No nível corporativo, a qualidade de gestão, a ética e a transparência dependem apenas da própria empresa.

No plano global, parece urgente uma revisão dos organismos multilaterais, como a ONU, o FMI e a OMC. Será necessário aparelhar esses organismos de modo que possam enfrentar as questões colocadas pela crescente inter-relação dos mercados. Por outro lado, deverá caber a esses organismos o acompanhamento das questões decorrentes da não adopção dos princípios básicos de gestão corporativa pelas empresas, como meio de prevenir os impactos já verificados no passado e criar as condições adequadas para a redução de riscos sobre o ambiente dos negócios.

Texto de Tharcisio Bierrenbach de Souza Santos (Brasil)

Posted by Ceo at 00:30:00
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