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Já todos ouvimos dizer, algures, que muitas profissões actuais irão desaparecer dos mercados de trabalho ou sofrer alterações profundas. Todavia, os jovens continuam a ser canalizados para profissões tradicionais onde os ensinamentos abordam temáticas que já não têm cabimento na sociedade da informação. Por outro lado, os empregos do futuro exigirão não apenas competências novas como capacidades até agora pouco reconhecidas como a flexibilidade, a criatividade e o auto-didactismo.
O presente texto tem como fonte um estudo publicado pela @aprender. Trata-se de uma síntese das principais conclusões.
O professor de economia da USP e da Mackenzie, Dr. Roberto Macedo, utilizou uma metáfora para descrever a realidade profissional: “no mundo do trabalho navegamos, como um surfista, com a nossa competência como tal, mais a prancha, diploma ou profissão que escolhemos. Não temos, contudo, controle sobre as ondas de oportunidades que surgirão, nem mesmo se elas virão na praia profissional escolhida. Especular sobre as profissões do futuro é como teorizar sobre as ondas que virão. O correcto é estar preparado para enfrentá-las, independentemente de suas características“.
Paradoxo O mais dramático paradoxo dessa época em que as taxas de desemprego aumentam em todo o mundo, é que as empresas apresentam, cada vez mais, uma carência crônica de mão-de-obra especializada. Vagas ociosas em diversas áreas por falta de pessoas capacitadas para ocupá-las e, o que é pior, as instituições de ensino não estão capacitadas para formar profissionais com o perfil necessário para preencher estas vagas.
Para o professor Gilson Schwartz, autor do livro “As Profissões do Futuro“, “há nas empresas uma procura por trabalhadores que as escolas estão sendo incapazes de oferecer“.
O Mundo das Profissões
Entretenimento
Essa é a palavra de ordem no mundo do futuro. Nove em cada 10 especialistas admitem que o entretenimento permeará a maior parte das actividades humanas. Da educação ao marketing, passando pela prestação de serviços e pelos ambientes de trabalho, para chegar finalmente ao turismo, seu carro chefe, o entretenimento estará presente no modo de se fazer as coisas em boa parte das profissões e do dia-a-dia do planeta nas próximas décadas.
Autenticidade
Ainda na concepção do entretenimento como peça central da sociedade contemporânea, haverá uma profunda reestruturação da concepção e do modus operandi do entretenimento. Aos poucos, o predomínio do cinema e da televisão perderá espaço para as actividades de diversão estruturada, como parques temáticos, acampamentos, desportos coletivos, entre outros. São actividades de “emoções programadas”, onde a pessoa paga para sentir determinado tipo de emoção, com total segurança e previsibilidade. Passado mais algum tempo, as pessoas se cansarão de tanto artificialismo e irão em busca de emoções mais autênticas. Experiências reais, de contacto com pessoas “reais”, com desfechos nada previsíveis, mas com riscos relativamente baixos.
Experiências
No campo das experiências “reais” é onde residem as maiores oportunidades profissionais do século XXI. Eis o grande desafio para a nossa criatividade. As emoções provocadas pelos filmes de Hollywood não serão mais suficientes. Elas agora precisam ser vivenciadas, experimentadas por todos os órgãos dos sentidos, não mais apenas pela visão.
A Era do Utilitarismo Até mesmo a França, que se orgulhava outrora de ser a “mãe das letras e das artes“, agora só pensa em eficiência, performance e utilidade. Para a professora emérita da FFLCH da USP - Leyla Perrone-Moisés, desde a Idade Média até meados do século 20, os estudos humanísticos, sobretudo nas suas vertentes filosóficas e literárias, ocuparam um lugar de honra nas universidades. “Os extraordinários avanços científicos e tecnológicos do século passado, recebidos não apenas como valiosos, mas também como prioritários, relegaram os estudos humanísticos a um lugar secundário. A globalização económica e a consequente submissão de todos os países à lógica do mercado tendem agora a desferir o golpe definitivo contra esse tipo de estudo“.
Cursos Tradicionais
Seja por questões culturais, por falta de conhecimento, por tradicionalismo ou por status, os cursos mais concorridos nas universidades não são os de melhores perspectivas profissionais, mas sim os mais tradicionais. Segundo o vice-reitor da Unesp, Profº Dr. Paulo Cezar Razuk, os “cursos mais concorridos são aqueles ligados as profissões mais tradicionais que, por sinal, algumas delas, a médio prazo, estarão fadadas ao desaparecimento“.
Escolha da Carreira Por imaturidade, desconhecimento, inexperiência e falta de apoio, os jovens têm sérias dificuldades na escolha da sua carreira. A influência da família e de amigos, aliada a falta de informações são os factores que mais pesam na tomada de decisão por parte dos jovens. Na dúvida, cheio de insegurança, mais de 70% dos jovens optam pelas carreiras tradicionais, já totalmente saturadas no mercado, como medicina, direito, engenharia, odontologia e outras mais. Caberia à escola o papel orientador, mas essa prefere presenciar inerte seus alunos lutando desesperadamente pela aprovação em um curso “tradicional”, para amanhã estarem desempregados ou subempregados.
Diminuição da Importância do Diploma Universitário
Dois factores serão os principais responsáveis pela perda de valor do diploma universitário enquanto instrumento de ascensão social e profissional: a conscientização da necessidade de educação permanente e as novas exigências do mercado de trabalho, como por exemplo: capacidade de aprendizado, assertividade, criatividade, adaptabilidade, flexibilidade e autodidatismo, que são habilidades de difícil mensuração, que não podem ser atestadas através de um diploma.
Sectores de maior probabilidade de crescimento
Profissões do Futuro
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Administradores de Comunidades Virtuais
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Engenheiros de Rede
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Gestor de Segurança na Internet
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Coordenadores de Projectos
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Consultor de Carreiras
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Coordenadores de Actividades de Lazer e Entretenimento
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Designer e Programador de Jogos
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Gestor de Patrocínios
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Gestor de Empresas do Terciário
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Especialista na preservação do Meio Ambiente
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Engenharia Genética
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Gerentes de Terciarização
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Gestor de Relações com o Cliente
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Especialista em Ensino a Distância (EAD)
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Tecnólogo em Criogenia (congelamento de órgãos).
Áreas com possibilidade de crescimento
Realidade Americana O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA publicou recentemente um estudo de previsão das áreas de emprego que terão o maior crescimento nos próximos 10 anos. Informática está em primeiro lugar, e Saúde em segundo. Espera-se que o número de pessoas empregadas nas indústrias de computação dos EUA cresça de 1,2 milhão para 2,5 milhões nesse período, e o das pessoas empregadas na área de saúde, de 1,17 milhão para 1,97 milhão. Entre os dez cargos que crescerão mais rapidamente, nove serão gerados por esses dois sectores: administradores de bases de dados e redes, engenheiros de computação, analistas de sistemas, assistentes de fisioterapia, assistentes de atenção doméstica (home care), assistentes médicos, fisioterapeutas e assistentes de terapia ocupacional. Os médicos não estão entre as carreiras que crescerão significativamente.
Carreiras Inesperadas 1 A revista francesa Techniques Magazine, publicou uma lista de 28 carreiras poucos comuns que, segundo ela, serão destaque nos últimos 10 a 25 anos. Entre elas se destacam Arqueólogo Submarino, Consultor de Lazer, Gerente de Centro de Informações, Técnico de Bateria de Células Combustíveis Automotivas, Técnico em Correio Electrónico, Técnico de Medicina Biónica e Terapeuta de Horticultura.
Carreiras Inesperadas 2
A revista americana Time publicou recentemente um caderno em que apresenta, de forma bem humorada, suas previsões para as profissões do século XXI. Entre as previsões da Time estão:
(a) Engenheiro de Tecidos Celulares - que actuarão no fabrico de órgãos humanos artificiais;
(b) Programador de Genes - que trabalharão com o mapeamento e alterações no código genético dos seres vivos para evitar e combater doenças e desenvolver medicamentos;
(c) Farmoagricultor - juntando as habilidades agrícolas com as farmacêuticas, esse profissional vai produzir grãos geneticamente modificados com a ajuda da engenharia genética.
(d) Organizadores de dados - profissional com a habilidade de organizar o turbilhão de informações que todos os dias é produzido por institutos de pesquisas, ONGs, governos, imprensa, universidades, e seleccionar as informações necessárias, sintetizá-las e contextualizá-las.
(e) Actores e escritores virtuais - para actuarem em filmes e fotonovelas veiculados apenas na Internet.
(f) Engenheiros do conhecimento - profissionais capazes de criar inteligência artificial ou traduzir o expertise de especialistas e reproduzi-lo em softwares.
Diminuição da Duração dos Cursos no Ensino Superior Acredita-se que em futuro próximo os cursos de graduação terão de um a três anos, no máximo, de forma que o indivíduo inicie seu processo profissional o quanto antes, mantendo a vida estudantil concomitantemente a vida profissional. Actualmente, mais da metade das pessoas que se formam no Ensino Superior dos EUA fizeram cursos de duração inferior a três anos.
Cursos Sequenciais Apesar das significativas possibilidades de crescimento dos cursos seqüenciais no Brasil, há uma grande preocupação com o mercado de trabalho para os egressos dessa modalidade de curso. Os que forem em áreas específicas, que não concorrem com a graduação, terão grandes chances de sucesso. Os que forem apenas uma “graduação” reduzida para dois anos, devem fracassar por não oferecer ao egresso condições adequadas para concorrer no mercado de trabalho.
Mercado de Trabalho O encolhimento e o desaparecimento de diversos mercados de trabalho é um movimento que já vem sendo acompanhado há mais de duas décadas. Só agora, no entanto, ele se configura como irreversível. Não há governo ou sindicato que possa alterar esse quadro. Absolutamente nada poderá deter a marcha da imprevisibilidade. Profissões desaparecerão, mas novas oportunidades surgirão. O que as pessoas precisam entender é que as coisas não serão mais como eram antes. Uma carreira não tem como ser planeada para toda a vida. Já está longe o tempo em que passar no concurso de um banco era garantia de segurança “eterna”.
Para o Doutor em economia e articulista do jornal A Folha de São Paulo, Gilson Schwartz, o mercado de trabalho, no sentido convencional da expressão, sumiu. Para ele, esse “desaparecimento” do mercado pode ter sete diferentes significados:
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Encolhimento do mercado, existindo menor oferta de empregos devido a retração da economia.
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Desaparecimento do mercado através da substituição de certas profissões por máquinas e computadores, ou ainda, pela eliminação do processo de intermediação. Por exemplo, já é previsto o fim dos agentes de viagens devido a gradativa eliminação da intermediação na compra de passagens.
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Flexibilização do mercado com as mudanças das leis trabalhistas e o aumento do trabalho realizado de forma “alternativa” ao convencional (CLT).
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Virtualização do mercado com a transferência de diversos serviços para dentro da Internet, como por exemplo, os serviços bancários, os serviços de representação comercial etc.
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Degradação do mercado pela perda do status de determinada profissão ou pela deteriorização progressiva de uma carreira.
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Barreiras etárias à entrada no mercado em função da dificuldade que trabalhadores acima de 45 anos encontram para conseguirem uma colocação profissional.
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Irrelevância do mercado, já que muitas pessoas estão encontrando outras formas de sobreviverem, livres e distantes do mercado formal de trabalho.
Sonhar em arranjar um emprego que se adapte às suas preferências e qualificações está se tornando um conto de fadas. Não é mais o mercado que vai se adaptar ao perfil das pessoas. Elas precisam estar em constante mudança para adaptarem-se ao perfil do mercado. O trabalhador precisa acompanhar as tendências e conjunturas e estar preparado para ir se adaptando a elas o tempo todo. Neofilia, o gosto pelo novo, pela mudança, é a palavra de ordem na selecção profissional.
Competências, Habilidades e Atitudes do Profissional do Século XXI
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Capacidade de trabalhar em equipe
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Domínio de idiomas
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Domínio de informática
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Autodidatismo
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Reciclagens periódicas
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Actualização permanente
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Neofilia (a procura de novidades e alternativas)
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Cidadania e responsabilidade social
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Habilidade em tomada de decisão
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Capacidade de aprender a aprender
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Capacidade de associação de idéias
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Liderança
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Visão de Conjunto
Profissionais Multímodas Além da competência e habilidades necessárias ao profissional do futuro, há um item de fundamental importância: o nível de abrangência das capacidades desse profissional. Os termos para designá-lo são muitos: profissional híbrido, multifuncional, polivalente, multímoda, interdisciplinar, entre outros. O que importa é que ele tenha a capacidade de expressar e aplicar o seu conhecimento, competências e habilidades de muitas maneiras. Podemos apresentar como por exemplo de profissional multímoda, um nutricionista que está apto a dar consultoria pela Internet, realizar palestras sobre o tema que domina, fazer auditoria nas empresas em que actua e seleccionar profissionais do ramo para actuar nos locais em que dá consultoria.
Adaptado de @aprender.
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