Sunday, February 19, 2006

Que emprego?

A grande maioria das mães de adolescentes e pré-adolescentes preocupam-se, com razão, com as perspectivas de emprego dos seus filhos e filhas.
As notícias sobre o fim do emprego, terceirização, globalização, níveis de desemprego são alarmantes para quem pretende iniciar uma carreira daqui há alguns poucos anos.

Quais são os factos concretos?

1. O desemprego alastra pelos países ocidentais: a globalização, as novas tecnologias e outros factores estão a mudar o mundo.

2. A globalização está dizimando não somente empresas, mas sectores inteiros.

3. O crescimento das importações não gera apenas um problemático déficit comercial, mas cria empregos no exterior em detrimento do emprego interno.

Existem algumas considerações que amenizam este quadro, sem querer dar uma impressão de um mar de rosas. Dificuldades os jovens terão, mas os argumentos abaixo serão úteis quando o pânico do desemprego surgir novamente.

1. Haverá sempre lugar para empresas inovadoras, modernas e competitivas. São nelas que os jovens devem pensar para procurar emprego.

2. O grande gerador de emprego, no mundo inteiro não é a grande empresa, e sim a pequena e média. Quem emprega 97,3% da força de trabalho hoje em dia é a pequena e média empresa, bastante esquecidas, por vezes, pelos governos.

4. Se seu filho e sua filha souberem adquirir competência e conhecimentos práticos que sejam procurados pelos novos mercados de trabalho, não terão dificuldades. O mercado de trabalho português está estagnado mas tem ainda algum potencial. Precisamos de jovens bem formados, criativos, competentes, empreendedores.

Quem não estiver minimamente preocupado com seu futuro profissional, ou frequentando uma escola mais preocupada em ensinar o que era importante no passado do que o que será importante no futuro, vai ficar sem o que fazer.

Não querendo deixar a impressão de que tudo será fácil, nem de que estamos no caminho certo, quem decifrar o seguinte enigma não terá de se preocupar: no futuro faltarão empregos, mas não faltará trabalho.

Texto baseado na revista Veja (Brasil, edição 1539).

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Thursday, February 16, 2006

Preparar o futuro

 

Como podemos preparar o nosso futuro?

Leila Navarro, colunista de Empregos.com.br, e autora, entre outras obras, do livro SuperVocê-Descubra Seu Poder de Superacção, sugere os seguintes passos:

  • Estar atento ao mundo da Internet. A Internet é uma verdadeira ferramenta para o crescimento pessoal, profissional, social, para gerar negócios, criar relações, enfim, para sobreviver. Ainda existem pessoas acreditando que podem ”sobreviver” sem precisar de recorrer às novas tecnologias de informação..
  • Ser proactivo (a). O mercado não dá mais tempo para quem espera. As pessoas precisam sair em busca do que desejam, independentemente da sua formação, do seu ramo de actividade profissional, ou posição social. Sempre digo que se a situação de qualquer negócio está ruim é porque algo não está sendo feito correctamente, e que se a situação é boa, pode ficar ruim se você deixar de procurar novas alternativas.
  • Fazer parte de clubes, associações, etc. As pessoas querem e precisam pertencer a algum grupo de afinidade, seja profissional, cultural ou social. O associativismo é uma realidade e nem sempre tem finalidades financeiras, mas amplia a rede de contactos. Ninguém faz nada sozinho. Quem estiver preocupado apenas com o individual está perdido.
  • Ganha-Ganha. Só fica no mercado de trabalho hoje quem tem clara a premissa do ganha-ganha. Quem ainda actua para ganhar sozinho e explora pessoas e circunstâncias em benefício próprio não vai longe. Precisamos conhecer o outro e respeitá-lo para que possamos gerar trabalho.
  • Empreendedorismo. Temos que empresariar nosso próprio talento. Quem espera do outro, da empresa, do sócio ou da família para acalentar seus objectivos e obter êxito já está fora do mercado. O empresário do próprio talento tem uma visão macro, ele sabe o que quer, pesquisa, traça um plano de negócios. .

Se você ficar atento a essas atitudes básicas, com certeza estará preparado (a) para qualquer profissão do futuro. Pois, daqui a 5 ou 10 anos, não teremos necessariamente profissões específicas, mas sim profissionais tão capacitados e bem-sucedidos que dificilmente não terão empresas interessadas em suas habilidades. Recicle-se sempre, e mantenha sua mente aberta para a aprendizagem de novas habilidades para potencializar as que você já tem.

 

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Sunday, January 1, 2006

Livro

O Futuro dos Empregos

QUAIS SERÃO AS CONDIÇÕES DE EMPREGOS E LOCAIS DE TRABALHO NO FUTURO?

A queda dos preços, as facilidades das novas tecnologias e telecomunicações, farão com que as empresas reformulem seus conceitos de empregos. Como empresas e empregados devem adaptar-se a esta nova realidade. Este é o tema do livro “O Futuro dos Empregos” de Thomas W. Malone, da Harvard Business School Press.

Imagine organizações em que os chefes dêem aos funcionários liberdade para decidir o que fazer e quando; escolher seus próprios chefes e participar diretamente em decisões importantes da empresa; organizações em que a maioria dos trabalhadores é de freelancers conectados por meios eletrônicos, morando onde quiserem; que toda essa liberdade permite que as pessoas obtenham mais daquilo que realmente querem da vida: dinheiro, trabalho interessante, a chance de ajudar os outros e tempo com suas famílias. Em “O Futuro dos Empregos”, o renomado teórico da destacada iniciativa do MIT, “Inventing the Organizations of the 21st Century”, mostra onde isto já acontece e como pode ser mais freqüente no futuro.

Malone afirma que uma convergência de factores tecnológicos e económicos, particularmente a rápida queda dos custos da comunicação, está provocando mudanças profundas nas organizações. Pela primeira vez será possível ter o melhor dos dois mundos: as eficiências econômica e de escala das grandes organizações, e os benefícios humanos das pequenas (liberdade, motivação e flexibilidade).

Inspirado pelo idealismo da década de 70, Malone escreveu em um ensaio que não queria se confinar a um mero emprego, mas atacar algum problema mundial que desafiaria suas habilidades. Desde aquela época ficava “intrigado, principalmente, com o problema da tecnologia que supera a capacidade da sociedade de se adaptar a ela”.

O desejo que expressou determinou sua vida profissional e constitui a essência deste livro. Malone ficou cada vez mais interessado nas complexidades de organizar grandes grupos de pessoas (nos negócios, em outras organizações e nas sociedades). Direcionou o foco de seu campo de estudo e pesquisa na forma como grupos de pessoas poderiam usar novas tecnologias de informação para organizar seu trabalho de novas maneiras. Algum tempo depois, começou a construir a base de uma teoria sobre a física da organização, chamada de teoria da coordenação.

Malone interessou-se, especificamente, em usar a teoria da coordenação para entender como mudanças dramáticas em alguns fatores básicos que modelam as organizações comerciais — como custos de comunicação — estavam tornando possíveis novos tipos de organização. Um dos princípios fundamentais deste livro mostra que, ao reduzir os custos de comunicação, as novas tecnologias de informação estão nos impulsionando a maneiras descentralizadas de organizar o trabalho.

De acordo com o autor de “O Futuro dos Empregos”, “estamos à beira de um novo mundo do trabalho, em que muitas organizações não terão mais um centro — ou, mais especificamente, em que teremos quase tantos “centros” quanto pessoas”.

Sobre o Autor

Thomas E. Malone é titular da cadeira Patrick J. McGovern de administração na MIT Sloan School of Management e fundador e diretor do MIT Center for Cordination Science.

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Saturday, December 31, 2005

DIFERENTES FUTUROS (*)

O mundo deste início do século XXI é, mais do que nunca, plural. Um número considerável de seres humanos habita regiões cultural  e socialmente distantes e diferentes das sociedades ditas industrializadas. Na própria sociedade ocidental biliões de cidadãos, ainda que mergulhados em hábitos e compor-tamentos de consumo de massa, com acesso aos mais diversos produtos e serviços, situam-se em níveis de evolução diferentes tendo do mundo e do futuro (seus e da sociedade)  visões e expectativas muito diversas.

Esta miscelânia de “mundos” e de “visões e expectativas” distintas confere ao nosso planeta múltiplas dimensões e desenhos da realidade humana. O tema foi pela primeira vez abordado pelo professor de psicologia americano Clare W. Graves, nos anos 60, tendo sido posteriormente desenvolvido por Don Edward Beck e Christopher C. Cowan. Actualmente, nomes como Ken Wilber, uma das mentes mais brilhantes do nosso tempo, adoptaram o seu modelo de compreensão do mundo. Dois livros se destacam pelos seus contributos decisivos no seu esclarecimento e promoção: Spiral Dynamics, de Beck e Cowan (1996) e A Theory of Everything, de Ken Wilber (2002), publicados em Portugal respectivamente pelo Instituto Piaget e pela Editora Estrela Polar.

Baseados no trabalho pioneiro de Clare Graves, Beck e Cowan propuseram um modelo de desenvolvimento humano que, devido à sua configuração, recebeu o nome de Dinâmica da Espiral. Este modelo tem sido validado e não refutado por diferentes pesquisas. Segundo este modelo, o ser humano nasce no estádio 1 e pode evoluir até ao estádio 9 dependendo essa evolução de múltiplos factores psicológicos, culturais e sociais. Escreveu Graves: “é um processo espiralado, emergente, oscilante, marcado por uma progressiva subor-dinação de sistemas de comportamento mais antigos e de ordem inferior a sistemas mais recentes, de ordem superior, que ocorre à medida que os problemas existenciais de um indivíduo se alteram“.

A existência humana, segundo Graves, contem numerosos, provavalmente infinitos, modos de ser, enraizados precisamente nos imensos potenciais do cérebro hierarquicamente estruturado da humanidade. Mas a dinâmica humana faz com que diferentes indivíduos estejam a viver em diferentes níveis de percepção, visões do mundo e estilos de vida. Num mesmo país, numa mesma rua, encontramos indivíduos cujo estádio de desenvolvimento se distingue dos seus vizinhos, se bem que a tendência seja para se agruparem em função da partilha dos mesmos sistemas de crenças, valores e níveis de existência.

Assim, cada um dos sucessivos estádios, ondas ou níveis de existência é uma condição pela qual as pessoas passam no seu percurso rumo a estádios de existência distintos, com psicologias próprias e ajustadas a cada nível: sentimentos, motivações, ética e valores, bioquímica, grau de activação neurológica, sistema de aprendizagem, sistemas de crenças, conceito de saúde mental, conceitos e preferências relativamente a negócios, educação, economia e teoria e prática políticas (Graves,1984).

Beck e Cowan desenvolveram então o conceito de vMEME tendo como ponto de partida o termo “meme” proposto por Mihaly Csikszentmihaly em 1993. Um vMEME é um meta-meme, isto é, um princípio organizador da existência humana que actua nas nossas mentes através de crenças, estilos de vida, tendências de linguagem, normas culturais, formas de arte, expressões religiosas, modelos económicos, etc. Os vMEME codificam instruções para as nossas perspectivas do mundo, as suposições de como tudo funciona e a fundamentação lógica para as decisões que tomamos. Os vMEME representam as influências ambientais (culturais, sociais, educacionais, etc) que moldam não apenas as nossas mentes como as próprias células do cérebro. Eles circulam profundamente nos sistemas humanos e pulsam no centro das escolhas e da inteligência de cada indivíduo. São um produto da interacção do equipamento nos nossos sistemas nervosos com o ambiente e as condições de existência (onde se destacam o tempo, o lugar, os desafios e as circunstâncias) que enfrentamos.

Os vMEMES actuam a três níveis distintos: indivíduos (modelando as suas vidas e os seus valores, da sobrevivência mais básica no aldeão global até ao mais inacessível pensador); as organizações (determinando o seu sucesso ou o seu fracasso no mercado competitivo); e as sociedades (locais ou nacionais) que seguem modelos de existência dependentes de vMEMES com diferentes sentidos (democrático, conservador, etc).

O modelo da Dinâmica da Espiral foi já testado em mais de 50 mil pessoas de todo o mundo e mantem-se válido. Ele apresenta-se, graficamente, com este aspecto:

Wilber divide a espiral em dois grandes estádios: o primeiro contempla os níveis mais inferiores de desenvolvimento psicológico e onde se situa a maioria da população mundial (das nações, dos governos, das empresas); o segundo abrange os níveis mais evoluídos e contempla um número mais restricto mas psicologicamente e culturalmente poderoso.

São nove os níveis de evolução humana propostos por Ken Wilber com base no modelo inicial de Graves e conforme a predominância dos vários vMEMES:

  • Nível 1 (prevalece o instinto de sobrevivência, a prioridade é dada aos alimentos, ao calor, ao sexo e à segurança). Encontra-se ainda, segundo Wilber, em 0,1% da população adulta mas também se observa em todos os bebés recém-nascidos, nos sem-abrigo, nas massas de população faminta do Sudão e de outras regiões inóspitas.
  • Nível 2 (predomina o pensamento animista). Estão neste estádio cerca de 10% da população e pode ser encontrado nos gangs, nas “tribos” corporativas, nas populações devotadas a rituais mágicos, pactos de sangue, crenças e superstições étnicas de cariz mágico.
  • Nível 3 (mentalidade feudal). Encontram-se neste nível cerca de 20% da população adulta mundial e 5% do poder está nas suas mãos. Pertencem a este nível reinos feudais da Ásia muçulmana, líderes de gangs, juventude rebelde, crianças entre os 2 e os 3 anos de idade e mentalidades de fronteira (lutam sobretudo pela posse de territórios).
  • Nível 4 (mentalidade conservadora e corporativa). 40% da população adulta mundial vive neste nível de existência e detem 30% do poder. São exemplos a América puritana, a antiga China confucionista, o judaísmo hassídico, o fundamentalismo religioso cristão e islâmico, grupos como o Exército da Salvação, os escuteiros e ideias como o patriotismo, organizações corporativas, ordens (Malta, Maçonaria, etc).
  • Nível 5 (mentalidade racional-materialista). Encontra-se em 30% da população que detem 50% do poder actual. Indivíduos e sociedades altamente orientadas para os resultados: Wall Street, classes médias emergentes no mundo ocientalizado, colonialismo, indústria da moda, etc.
  • Nível 6 (ecológico e comunitário). Neste nível vivem cerca de 10% da população que detem 15% do poder. Sensíveis ao equilíbrio ecológico, contra as hierarquias estabelecidas, as pessoas que estão neste estádio são fortemente pluralistas, defendem o multiculturalismo e a igualdade. Encontram-se nos movimentos ecologistas, no idealismo holandês, nas organizações não-governamentais como os Médicos Sem Fronteiras, nos partidos “os verdes” da Europa, etc.
  • Nível 7 (integrador). Um por cento da população, com cinco por  cento de poder situam-se neste nível. Defendem um mundo sem fronteiras, igualitário, transcendente, solidário. A flexibilidade, a espontaneidade e a funcionalidade têm prioridade máxima. Exemplos: a Teoria do Caos, a “nova física” de Fred Allan Wolf, ensinamentos de Deepak Chopra.
  • Nível 8 (holístico, visão global). Apenas 0,1% da população está neste estádio e detem 1% do poder. Crença principal: o mundo é um único organismo dinâmico, com a sua própria mente colectiva. Exemplos: o conceito de “aldeia global” de McLuhan, as ideias de Gandhi de harmonia pluralista, os ensinamentos do filósofo Ken Wilber, a “hipótese Gaia” de James Lavelock e a “noosfera” de Pierre Teilhard de Chardin. O mais brilhante filósofo da actualidade - Ken Wilber - cujos ensinamentos são um exemplo do nível 8 defende um próximo estádio, o 9º:
  • Nível 9: (integral e holónico). Estará lentamente a emergir em alguns (poucos) núcleos. Wilber, em A Theory of Everything defende uma nova humanidade que altere radicalmente velhos paradigmas e conflitos despertando nos indivíduos o aproveitamento integral das potencialidades humanas. O núcleo central deste “movimento para cima” situa-se no Instituto Integral (Estados Unidos) e tem atraido personalidades e investigadores de distintas disciplinas tais como David Chalmers, Howard Gardner (teorizador das Inteligências Múltiplas), John Searle (conhecido estudioso do fenómeno da consciência), o físico Ervin Lasszlo, Francisco Varela (entretanto falecido), Larry Dossey, etc.

Cada um destes níveis é influenciado por vMMES poderosos aos quais de atribuiram cores como forma de melhor identificação. Assim, temos:

  • Nível 1 - Bege
  • Nível 2 - Púrpura
  • Nível 3 - Vermelho
  • Nível 4 - Azul
  • Nível 5 - Laranja
  • Nível 6 - Verde
  • Nível 7 - Amarelo
  • Nível 8 - Turquesa
  • Nível 9 - Coral

INDICAÇÃO SUMÁRIA DOS CÓDIGOS DAS VISÕES DO MUNDO (vMEME)

Estratos psico-culturais
Nível Código da cor Nome popular  Pensamento  Manifestações culturais e expressões pessoais
Nível 8 turquesa Visão Global  Holístico individualismo colectivo; espiritualidade cósmica; mudanças da Terra
Nível 7 amarelo  Flexível Ecológico sistemas naturais; múltiplas realidades; conhecimento
Nível 6 verde  Fraternidade  Consensual igualitarismo; autenticidade; partilha; comunidade
Nível 5 laranja  Esforço Estratégico materialista; consumerismo; sucesso; imagem; status; poder
Nível 4 azul  Força de vontade  Autoridade disciplina; tradições moralismo; regras 
Nível 3 vermelho  Deus do Poder  Egocêntrico gratificação; conquista; acção; impulsividade
Nível 2 púrpura Espírito de parentesco  Animista ritos; rituais; tabus; superstições; tribos.
Nível 1 bege Sobrevivência Instintivo alimento; água; procriação; calor; protecção.

Os vMEMES e os diferentes tipos de existência levados pela humanidade conduzem a distintas visões do mundo e do futuro. Elas podem ser vistas de forma sumária neste quadro relativamente aos pretextos para a intervenção armada e outros conflitos:

 

Visões do mundo ou vMEMES de conquista
e razões para envolvimento em conflitos.
Cor Forma política  Motivos para intervenção armada 
Bege Clãs para manter a sobrevivência tal como se pode ver no filme The Quest for Fire
Púrpura Tribos para proteger mitos, tradições ancestrais e lugares sagrados
Vermelho  Impérios feudais 

para dominar, alargar territórios, pilhar, estabelecer novos domínios

Azul  Nações antigas 

proteger fronteiras, a mãe-pátria, preservar modos de vida, defender causas nacionais 

Laranja  Estados corporativos criar novas esferas de influência ou aceder a novos recursos e mercados
Verde  Comunidades de valores 

punir os que atentam contra a humanidade, proteger as vítimas

Graves não hesitou em afirmar que os sistemas humanos reflectem diferentes níveis de activação do nosso equipamento neurológico dinâmico, isto é, a produção química do nosso cérebro, complexos grupos de células e biliões de potenciais ligações neurológicas (Graves, 1973). Para Graves, o cérebro humano vem com um software potencial - como sistemas à espera de serem ligados - upgrades latentes.

Será então o nosso cérebro capaz de evoluir mais? Parece que sim, embora alguns neurobiólogos insistam em defender a tese que o homo sapiens sapiens atingiu os limites de evolução biológica possível. A verdade é que, desde tempos imemoriais, a mente não parou de evoluir. E este é um território imenso e ainda parcialmente utilizado. Desde o homo sapiens “survivalus”, há 150 mil anos atrás, até ao “holisticus” de há apenas 30 anos, a mente não parou de se expandir e evoluir (vertical e horizontalmente) e isso deve-se também à neuroplasticidade das redes de células nervosas (100 mil milhões em cada ser humano) e da arquitectura cognitiva.

Desde que o cérebro humano seja provido das seguintes condições, a mente constinuará a transformar-se e a progredir (Beck & Cowan, 1996):

  1. Um conjunto amplo de instruções, provavelmente codificadas no nosso ADN, que nos equipa para despertar novos sistemas que se vêm juntar ou até mesmo substituem antigos.
  2. As forças dinâmicas geraram-se na natureza e na criação que despoletam sistemas específicos (os sistemas cerebrais interagem para modelar a pessoa).
  3. A capacidade do cérebro humano de albergar um número de subsistemas simultaneamente, com alguns activos e outros relativamente passivos.

Em evolução ainda? Sem dúvida que as múltiplas frentes de transformação com que nos debatemos - seja qual for o nível psicológico, cultural e espiritual de existência em que nos situemos - continuarão a exercer fortíssimas influências sobre o nosso cérebro resultando uma mente que gradualmente se modifica. Basta para tanto pensar como as crianças de hoje parecem ser  mais inteligentes do que as de gerações anteriores ou observar a premência do fenómeno índigo. 

A complexidade da informação que em torrentes sólidas chega aos nossos cérebros bem como a diversidade de vivências e experiências que um número crescente de pessoas recebe está a modificar as nossas vidas, as nossas mentes e as nossas ideias. O futuro, não obstante, é plural tal a diversidade de níveis de desenvolvimento, valores,  crenças e conhecimentos que se observam por todo o planeta.

(*) Síntese da minha intervenção a apresentar no Congresso Internacional de Criatividade, em Chicago. Sobre a mente humana consultar www.territoriosdamente.blogspot.com e www.nelsonlima.blog.com. Sobre crianças índigo consultar www.mentessobredotadas.blogspot.com .

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Friday, December 2, 2005

Amplie o seu horizonte de tempo

Chama-se “horizonte de tempo” e traduz a capacidade de concebermos o tempo na nossa mente e de nos projectarmos no futuro. É o período cognitivo dentro do qual somos capazes de projectar, planear e executar acções no futuro. Elliot Jacques, um antigo professor de sociologia britânico, chamou a esta capacidade “janela do tempo”.

Elliot Jacques foi peremptório: “a duração máxima de tempo que a mente de uma pessoa pode alcançar permite avaliar e definir o nível do poder cognitivo dessa pessoa“.

Geralmente, as pessoas com um horizonte de tempo amplo são bastante inteligentes e, por isso, podem ser magníficos visionários (no sentido em que percebem as mudanças subtis que ocorrem na sociedade e são capazes de intuitivamente conceber o que vai acontecer), além de excelentes condutores de missões. 

Efectivamente, aumentam as provas (científicas) de que quanto mais longe o nosso cérebro for capaz de “trabalhar” no tempo mais inteligentes nos tornamos. Essa capacidade está localizada nos chamados “lobos frontais”, as zonas mais modernas (em termos evolutivos) do cérebro humano. Nas pessoas em que o “horizonte de tempo” é pequeno verifica-se alguma rigidez na elasticidade de resposta a desafios em que o factor tempo seja prioritário.

Em épocas como a nossa - em que temos de lidar com a complexidade, a ambiguidade, a rapidez dos acontecimentos e o paradoxo - as pessoas habilitadas a funcionar com amplos “horizontes de tempo” estão mais à-vontade para responderem criativamente aos desafios.

Robert Cooper, um prestigiado psicólogo organizacional, foi um extraordinário professor que me fez perceber a importância que cada um de nós deve dar ao factor “tempo” e à “percepção do futuro”.

Recordo alguns dos seus conselhos para agilizarmos a mente e desenvolvermos nela o “horizonte de tempo”:

  • estar abertos a todas as fontes de informação;
  • procurar mais do que uma resposta para os problemas;
  • usar conhecimentos ou dados contraditórios para gerar respostas alternativas;
  • pensar fora das regras e normas habituais (ser criativo e inovador!!);
  • dar atenção a tudo aquilo que, relativamente a um problema, fique por dizer;
  • não ter receio de gerar “novas teorias” ou de ”ver as coisas de forma diferente”;
  • encarar a incerteza como recurso!

Este professor sugeria também que, para começar, deveríamos desenvolver “uma visão pessoal do tempo futuro” (uma verdadeira “autobiografia futura”), imaginando-nos a actuar num tempo futuro. Aliás, este é um exercício que costumo aconselhar frequentemente às pessoas com alguns problemas de adaptação: convido-as a imaginar onde gostariam de estar e de fazer a 5 ou 10 anos de distância! Não é um trabalho de adivinhação mas de preparação mental e de expansão da consciência para o futuro. Os resultados são habitualmente muito animadores.

Como se faz isso? Recordo as palavras do professor: programar algum tempo semanal para, num lugar calmo, olhar para o futuro “vendo-nos” a actuar onde gostaríamos de estar. É um trabalho pró-activo é susceptível de alargar o nosso “horizonte de tempo”.

Estámos muito agarrados ao passado (estudamos a História), vivemos muito dependentes do que já aconteceu nas nossas vidas. O agora é fugidio e também não lhe prestamos a atenção devida. Olhando mais para a frente - o futuro - restam-nos planos, ambições ou medos. Há quem se recuse a pensar na vida a mais de uns quantos meses para a frente.

O futuro, de facto, não existe; está por acontecer, é indeterminado. Mas ao desenvolvermos a nossa “visão” interior ficaremos mais aptos a enfrentar com sucesso e de forma positiva tudo aquilo que o futuro nos trouxer. Por outro lado, ficaremos mais habilitados a modificarmos no presente elementos que irão repercurtir-se no futuro, alterando aquilo que um tanto fatalisticamente chamamos de “destino”.

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Thursday, December 1, 2005

Na última década do século XX, o número de pobres do mundo (com excepção da China) aumentou em mais de 100 milhões. A reversão dessa tendência vai requerer uma mudança no foco das ações relacionadas à pobreza e uma maior preocupação com a qualidade e com o impacto do crescimento.

Governantes no mundo inteiro continuam a usar o ritmo do crescimento do PIB como medida de progresso, embora existam exemplos claros de vida nacional que demonstram que a qualidade do crescimento também é importante. Da mesma forma que a qualidade da dieta das pessoas, e não apenas a quantidade que comem, influi sobre a sua saúde e a expectativa de vida, a forma como o crescimento é gerado e distribuído tem profundas consequências para as pessoas e para a qualidade de sua vida. Essa qualidade deriva não somente de políticas macroeconômicas prudentes e de princípios microeconômicos orientados para o mercado, mas também do modo como toda a riqueza de um país é utilizada. E essa riqueza inclui o seu capital físico, humano, social e natural.

As experiências dos países ressaltam quatro áreas cruciais para a qualidade do crescimento: maior acesso à educação, proteção do meio ambiente, gestão dos riscos globais e melhoria da qualidade de governo. Apesar disso, verifica-se um subinvestimento sistemático em capital humano e uma exploração excessiva do capital natural, enquanto os subsídios ao capital físico parecem continuar muito grandes em escala mundial. No nível agregado, os subsídios (brutos) à agricultura, energia, transporte rodoviário e água oscilavam entre US$ 700 e US$ 900 bilhões anuais no início da década de 1990. Dois terços desses subsídios eram dados nos países industrializados (cerca de 2,5% do PIB) e um terço, nos países em desenvolvimento (cerca de 5% do PIB).

A equidade no acesso à boa educação define fundamentalmente a qualidade do crescimento. Iniqüidades nos investimentos em educação e saúde privam milhões de pessoas da oportunidade de melhorar sua vida. As diferenças de oportunidades educacionais entre os países são enormes. Os resultados de um levantamento em 85 países mostram que a Polônia, os EUA, o Canadá e a República Checa proporcionam as oportunidades mais eqüitativas na educação.

O Brasil, a França e a Alemanha encontram-se na faixa moderada de eqüidade.

Já o Afeganistão, a Índia, o Paquistão, o Mali e a Tunísia apresentam iniquidades educacionais cinco a oito vezes maiores que as dos EUA e da Polônia. Os custos sociais disso são enormes.

A concentração apenas em quantidade não assegura qualidade. Verificamos que gastos públicos em educação pouco têm que ver com os resultados reais da educação numa série de países. Na área da saúde, entre 191 economias analisadas, os EUA ficaram no primeiro lugar em gastos per capita, mas apenas em 37.º lugar em termos do desempenho do sistema. A França, que só gasta cerca de 60% do que os EUA gastam, ficou em primeiro lugar no desempenho do sistema de saúde; a Colômbia, no 22.º; o Chile, no 33.º; a Costa Rica, no 36.º; e Cuba, no 39.º lugar.

A qualidade do meio ambiente também é muito importante e tem um impacto direto sobre a vida dos pobres. A gestão dos recursos naturais contribui efetivamente para o crescimento a longo prazo e, de forma direta, para o bem-estar. Em 1997, a poupança interna bruta do mundo em desenvolvimento atingiu cerca de 25% do PIB. Mas, quando levamos em conta a depreciação do capital natural, a poupança interna real foi estimada em apenas 14% do PIB.

Isso inclui os casos da Nigéria, com poupança interna bruta de 22% e poupança real negativa de 12%; da Federação Russa, com poupança interna bruta de 25%, mas poupança real negativa de 1,6%; e do Brasil com taxas de, respectivamente, 19,3% e 12,2%.

As queimadas de florestas da Indonésia no ápice da crise da Ásia Oriental - causadas por políticas e gestão inadequadas - causaram perdas directas de US$ 4 bilhões em 1997 e outros US$ 4 bilhões em 1998, bem como imensos prejuízos para os países vizinhos. Mas esse desastre ambiental nunca recebeu a mesma atenção que a crise financeira, muito embora possa ter causado maiores perdas a longo prazo para os pobres, que dependem dos recursos naturais para o seu meio de vida. Igualmente importante para a qualidade do crescimento é a boa governança.

Falta de transparência, morosidade burocrática e falta de pesos e contrapesos prejudicam o crescimento e a vida dos pobres. Permitir que a sociedade influa nas decisões que afetam a sua própria vida é vital para aumentar a transparência, proporcionando os necessários pesos e contrapesos contra a corrupção e o abuso burocrático e compensando as iniciativas de determinadas elites para manipular as políticas do Estado em benefício próprio.

Finalmente, a qualidade do crescimento também está ligada à boa gestão dos riscos globais. Os créditos internacionais levantados por meio de títulos e empréstimos bancários de médio e longo prazos alcançaram US$ 1,2 trilhão em 1997, em comparação com US$ 0,5 trilhão em 1988. Embora tenha crescido substancialmente desde o início de 1970, o comércio mundial de bens e serviços é eclipsado pelas transações financeiras internacionais, que chegam a ser cinco vezes maiores que as do comércio. Essa globalização traz grandes benefícios, mas também criou riscos, decorrentes da integração financeira e da volatilidade dos fluxos de capital. Essa volatilidade precisa ser bem gerida para que os benefícios potenciais da globalização se transformem em realidade.

Além da gestão macroeconômica prudente e dos investimentos no povo, os governos podem aliviar os riscos se ampliarem os seus mercados financeiros nacionais, fortalecendo a regulamentação e a supervisão financeira, implantando mecanismos eficazes de governança empresarial e proporcionando redes de segurança social, a fim de manterem o apoio público aos mercados de capital livres.

Texto de Vinod Thomas, do Banco Mundial. Este artigo é baseado no livro A Qualidade do Crescimento, do qual é co-autor, tendo sido inicialmente publicado no jornal O Estado de S.Paulo.

OS FACTOS PORTADORES DE FUTURO

O homem, desde o início da sua existência, preocupa-se com o futuro, o momento seguinte, os tempos seguintes. Essa preocupação aumenta em função do grau de responsabilidade que as pessoas ocupam na sociedade visto que as consequências da tomada de decisão são muito mais sérias e impactam um maior número de pessoas.

Entretanto, muitas críticas são feitas aos estudos de futuro. Falhas ocorrem em diversas dimensões, devido a necessidade que o homem tem de tentar prever o que não pode ser previsto. O que na realidade ocorre é uma falta de entendimento de como estudar e lidar com os fatos ligados ao futuro, ou melhor como se posicionar perante o futuro que é múltiplo e incerto.

Uma das áreas que mais sofre críticas no que diz respeito a antecipação dos acontecimentos é a ligada aos fenômenos da natureza. Apesar da natureza sempre alertar e disponibilizar “factos portadores de futuro” as consequências desses factos são sempre imprevisíveis em função de sua natureza. Recebem influências de diversas variáveis e que alteram o curso dos acontecimento. Sendo assim, então para que estudá-los e tentar antever os acontecimentos, se a probabilidade de acerto e muito remota? 

Acredita-se que é melhor alguma informação do que nenhuma para a tomada de decisão e além disso, os estudos acompanhados de monitoramento constante e sistemas de alertas que sejam capazes de reduzir os riscos é o que torna tais estudos eficientes. Podemos dar como exemplo o terremoto que ocorreu na Ásia em dezembro de 2004. Segundo o Centro de Pesquisa Geológica dos EUA o terremoto teve magnitude de 9 graus na escala Richter, foi o quarto maior já registrado desde 1900. O epicentro do terremoto foi localizado no mar a 40 km de profundidade, na costa oeste da ilha de Sumatra, a 1.620 km da capital da Indonésia, Jacarta. O forte tremor desatou uma sucessão de maremotos com ondas de até dez metros de altura - “tsunamis”. Em janeiro de 2005, após o maremoto, que atingiu nove países na Ásia e a Somália na África, o balanço da vítimas da catástrofe, ultrapassavam 100 mil, segundo informações veiculadas na mídia brasileira. Agências internacionais estimavam que o número poderia superar a marca de 200 mil mortos e milhares de desaparecidos.

Entretanto, essa tragédia poderia ter tido dimensões menores se tais países possuíssem um sistema de alerta contra tremores utilizando-se dos Wild Cards. Phil Cummins, sismólogo da Geoscience Austrália, organização de pesquisa financiada pelo governo, informou que a área em volta da ilha de Sumatra (próximo de onde ocorreu o tremor, na Indonésia) é conhecida por sua atividade sismológica, embora historicamente os terremotos na região tenham sido menos danosos do que aqueles no Oceano Pacífico.

Tal afirmação mostra que existiam Wild Cards ou mesmo factos portadores de futuro na região sinalizando a possibilidade de um acontecimento de grandes dimensões. Segundo informações veiculadas na mídia, “o centro de alerta para tsunamis do Pacífico, que fica nos Estados Unidos, detectou o terremoto na costa da Indonésia e tentou, sem êxito, avisar as autoridades na Ásia de que uma muralha de água estava se aproximando. Os funcionários do local disseram que não conseguiram alertar os países porque “não tinham idéia” de como poderiam contatar, já que não existe um sistema de alerta para o Oceano Índico. Sismólogos na Austrália disseram que a falta desse sistema de alerta para tsunamis (ondas gigantescas) no Índico poderia ter contribuído para a dimensão da catástrofe causada pelo maremoto na região. Pesquisadores nos Estados Unidos insistiram que muitas vidas poderiam ter sido salvas”. Segundo informações, também veiculadas na mídia, uma rede de monitoramento com base no Havaí fornece avisos antecipados em toda a área do Oceano Pacífico há meio século. O sistema internacional de alerta no Pacífico realiza monitoramentos constantes em busca de sinais da ocorrência de um tremor sob o mar. O aviso da possibilidade de inundações é passado rapidamente para áreas costeiras e ilhas de baixo relevo para que planos de emergência sejam implementados. Um sistema semelhante no Oceano Índico poderia dar um tempo valioso para que as áreas atingidas se preparassem para a catástrofe. Sistemas desse tipo são caros e exigem grande cooperação entre países vizinhos.

Este é um exemplo típico de que existem determinadas questões ligadas ao futuro que não podemos evitar que aconteçam, e que se configuram como as surpresas inevitáveis descrita por Peter Schwartz. Entretanto, isso não significa que devemos ficar parados esperando que elas aconteçam. Devemos estudá-las, elaborar nosso planos de contingência para que no momento em que elas aconteçam saibamos como agir, e principalmente, monitorarmos essas variáveis para sabermos a hora exacta de accionarmos tais planos de contingência.

In ABRAIC (Inteligência Competitiva, Brasil).

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Sunday, October 30, 2005

VOCABULÁRIO DO FUTURO

 

Análise estrutural: Método de prospectiva que explicita a estrutura interna de qualquer sistema. Permite introduzir as suas variáveis principais numa matriz para valorar as suas inter-relações.

Análise morfológica: método de prospectiva que coloca as questões críticas do objecto de estudo e as suas possíveis respostas.

Brainstorming: método para potenciar a criatividade.

Cenário: descrição do futuro: deve ser internamente coerente, consistente e plausível.

Caos, teoria do: corpo teórico que combina o estudo da dinâmica de sistema, matemática e física quântica. Postula que muitos fenómenos são inerentemente imperecíveis. Enfatiza o potencial criativo em épocas de mudança turbulenta.

Choque do futuro: conceito criado por Alvin Toffler para designar o estado de desorientação e paralisia que produzem as mudanças repentinas nalgumas pessoas.

Ciberespaço: termo de William Gibson e que define o espaço fictício criado pela utilização simultânea dos canais de comunicação telemática pelas seus usuários. Actualmente, também designa uma subcultura do mundo das redes telemáticas.

Concepções temporais: construções teóricas que oferecem uma compressão da natureza do tempo e do seu desenvolvimento. Existem dois grandes grupos, a concepção linear e a cíclica. A primeira delas é própria do pensamento ocidental moderno; a visão do tempo como uma flecha voando continuamente do passado ao presente e ao futuro para não volver nunca mais. Na concepção cíclica, própria de cosmologias orientais, o tempo se move em ciclos periódicos; é o eterno retorno.

Crescimento exponencial: Crescimento a um ritmo que aumenta constantemente, como no caso da população humana ou a contaminação. Este tipo de Crescimento comporta o risco de ultrapassar os limites da capacidade de carga de um ecossistema e o conseguinte perigo de colapso.

Crítica, prospectiva: corrente dentro da prospectiva. Baseia-se no questionamento dos pressupostos presentes quando se estuda o futuro e para isso trata de descobrir as causas profundas que provocam que as coisas sejam de uma determinada forma.

Desenvolvimento sustentável: noção que implica o uso e aproveitamento de qualquer ecossistema sem prejudicar o posterior uso e aproveitamento por parte das gerações futuras.

Determinismo: doutrina ou sistema filosófico em que o futuro é o resultado necessário das condições e estruturas preexistentes. Aplica-se frequentemente aos sistemas técnicos.

Distopia: utopia negativa. Imagens de futuro com involução para estádios mais primitivos com risco de colapso.

Efeito Limiar: efeito que se produz quando um determinado sistema chega a um ponto, o limiar, em que a mudança quantitativa se converte em qualitativa.

Eutopia: Utopia positiva. Cenários de futuros que são considerados muito desejáveis ou que colocam situações que podem avaliar-se como boas.

Extrapolação: prática que consiste em estender ao futuro uma tendência, situação ou processo ao mesmo ritmo, e na mesma direcção, com que se tem desenvolvido no presente: usa-se pouco como método.

Futuríveis: termo que designa todos os futuros possíveis num momento concreto. Noção criada pelo teólogo espanhol Luís de Molina.

Futuro: tempo por ocorrer. Para alguns uma realidade ontológica; um espaço virgem por descobrir e compreender plenamente. Para outros é uma construção social, uma dimensão da existência que se prolonga além do presente e possibilita a capacidade humana de projectar; um espaço repleto de possibilidades para construir e criar que confere sentido à actividade presente.

Futuros alternativos: para muitos sectores doutrinais é o conceito central em prospectiva. Opõe-se à noção de que o futuro é único, imutável e fixo, oferecendo uma gama de futuros distintos em função das circunstancias e consequências.

Gestão estratégica: método que integra prognósticos a curto prazo com a gestão diária. Goza de grande popularidade na actualidade e é muito utilizado no âmbito empresarial.

Globalização: fenómeno actual que provoca a uniformização de numerosos aspectos da economia, a cultura e as comunicações. Processo que implica a redefinição do que consideramos como local, regional e global.

Holística: enfoque teórico que pretende estudar os diversos aspectos da realidade como um todo interconectado.

Imagem de futuro: representação narrativa o gráfica de qualquer possível situação futura. Constitui a verdadeira matéria prima em prospectiva e permite substituir a carência de um objecto de estudo real.

Jogo de actores: método para analisar os comportamentos, estratégias e projectos de qualquer actor no objecto de estudo.

Laboratórios da Mente (MindLabs): Espaços físicos apoiados por profissionais de diversas áreas e competências (management, inovação, design, comunicação e imagem) criados para lidar com uma melhor eficácia na reflexão, decisão e execução de projectos inovadores. Entre as múltiplas tarefas que podem desempenhar encontram-se a organização de “brainstormings“, “brainwritings“, a elaboração de cenários, o apoio na definição de políticas e na sua apresentação e comunicação, bem como outros eventos tipo seminários, conferências, etc. Países como a Holanda e a Suécia criaram recentemente mindlabs em muitas das suas  instituições estatais.

Megatrends: conceito de John Naisbitt para descrever grandes tendências de efeito global.

Nanotecnologia: literalmente, tecnologia à escala molecular; é mais uma possibilidade teórica que uma realidade, mas que, mesmo nas suas aplicações mais modestas tem potencial de afectar radicalmente a actividade humana.

Previsão: parte da prospectiva que se concentra em melhorar as decisões actuais mediante um maior conhecimento das suas consequências.

Prognóstico: declaração de probabilidades sobre um facto futuro. Método de predição linear que implica a projecção de series de dados com o objectivo de avaliar a ocorrência provável de qualquer acontecimento ou desenvolvimento de uma tendência.

Prospectiva: ciência que estuda o futuro para compreender e poder influir sobre ele.

Retrognóstico: método usado em prospectiva. Partindo da identificação de um cenário específico reconstrói-se o desenvolvimento ao invés, buscando as suas origens e evolução. Conceptualmente ,é o processo inverso ao do prognóstico.

Scanning ambiental: um dos métodos mais importantes em prospectiva. Consiste na Análise de um território teórico ou social, previamente delimitado para detectar os primeiros indícios do que pode converter-se, mais adiante, em tendência e avaliar o seu impacto futuro.

Tendências: series temporais de dados mediante cuja Análise e extrapolação nos projectamos no futuro. Este método permite conhecer o futuro tendencial, o livre de surpresas, em que as cosas mudam na mesma direcção e ao mesmo ritmo que no presente.

Tempo: um dos eixos da actividade humana. A compreensão e natureza constituem um dos elementos definidores de toda a cultura.

Utopia: literalmente, fora do espaço. Forma literária muito popular em Europa em que se considera a sociedade ideal. Na actualidade interpreta- se o conceito de utopia como o conjunto de imagens de futuro ligadas a preferencias ou também a desejos, e diferencia-se entre eutopia e distopia.

Visualização: método de prospectiva que mediante um processo permite criar imagens de futuro coerentes e estruturadas. Pode utilizar-se como passo prévio à formulação de objectivos ou linhas de actuação.

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